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sábado, 31 de agosto de 2013

DESAFIOS E PERSPECTIVAS PARA O ENSINO DE CIÊNCIAS E BIOLOGIA....

O aluno do século XXI - Desafios e perspectivas para o ensino de ciências e biologia

                                                                                        Por: Carina Raquel Borges Caldas Ferraz
“Em toda a história da escolarização, nunca se exigiu tanto da escola e dos professores quanto nos últimos anos. Essa pressão é decorrente, em primeiro lugar, do desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação e, em segundo lugar, das rápidas transformações do processo de trabalho e de produção da cultura. A educação e o trabalho docente passaram então a ser considerados peças-chave na formação do novo profissional do mundo informatizado e globalizado.” (FREITAS, 2005).
     Enquanto o mundo caminha para o desfecho da primeira década do terceiro milênio, a Educação ainda permanece em meados do século passado. Na era da tecnologia e da informação, há tempos não somos mais os mesmos, mas ainda aprendemos como os nossos pais. A Educação não consegue acompanhar o ritmo acelerado de um mundo tecnológico e globalizado.
   O mundo está mudando rapidamente, e os alunos também. Segundo WIM VEEN, em seu livro “Homo zappiens -Educando na era digital”, essa nova “espécie” de jovens cresceu usando intensamente múltiplos meios da tecnologia. Esses recursos permitiram às crianças de hoje terem controle sobre o fluxo de informações, lidarem com informações descontinuadas, com sobrecarga de informações, mesclar comunidades virtuais e reais, comunicar-se em rede, de acordo com as suas necessidades.
   Dessa forma, ao perceber a escola como instituição à parte do seu mundo, ainda com aspectos antigos, sentados em carteiras enfileiradas, de frente para o quadro, anotando as informações em cadernos e ouvindo o professor reproduzir histórias retiradas de livros que já saem desatualizados das gráficas. Consideram-na como algo irrelevante em suas vidas cotidianas, em um paradoxo com as sensações e oportunidades oferecidas pelo universo multimídia exterior.
  No dia-a-dia escolar, os alunos mostram comportamentos ditos hiperativo e intermitentes, preocupando pais e professores. Querem estar no controle daquilo que se envolve e não tem paciência para ouvir um professor explicar um mundo que ele já conhece com suas próprias convicções. Como se o aluno fosse “digital” e a escola “analógica”. (FONSECA E ALQUÉRES, 2009).
  A Escola, assim como todas as outras entidades e organizações que estão no mundo, faz parte deste grande contexto global de mudanças. Diante dessa aceleração, a Escola deve se comprometer com a educação e entender as transformações, porque elas vão ditar as competências, exigidas não só em conhecimentos e habilidades, mas também relacionadas ao caráter e à personalidade. Essa é a grande visão que desponta no cenário educacional: os professores precisam comandar as mudanças, em vez de serem levados por elas. Quem sabe aonde quer chegar pode contribuir mais no processo ensino-aprendizagem.
   A Escola de hoje requer um professor mais crítico, criativo, que participe e que empreenda. Um professor mais inteiro e com mais consciência profissional. Nesse sentido, é importante a formação de um profissional da educação capaz de resolver e tratar tudo o que é imprevisível, tudo que não pode ser reduzido a um processo de decisão e atuação regulado por um sistema de raciocínio infalível, a partir de um conjunto de premissas. (PEREIRA, 2008).
  Dessa forma, o professor de Ciências e Biologia hoje, deve ser desafiado a ensinar de uma maneira diferente, aumentando os conhecimentos dos alunos de forma dinâmica e interessante, fugindo do tradicionalismo que nos foram passados. Já que o século XXI ficará marcado pelas presença cada vez maior da Ciência e de novas tecnologias na vida dos alunos.
Sendo assim, o papel do ensino de Ciências deixa de ser o de transformar alunos em futuros cientistas, para desenvolver competências e habilidades, que lhes propiciem uma postura mais crítica perante a ciência e as suas próprias vidas. Essa ideia é reforçada por BIZZO (1998) ao afirmar que “ensinar Ciências no mundo atual deve constituir uma das prioridades para todas as escolas, que devem investir na edificação de uma população consciente e crítica diante das escolhas e decisões a serem tomadas”.
  Sem dúvida, o primeiro passo para inserir o ensino de Ciências e Biologia na atualidade, é integrar as informações dos conteúdos programáticos com a internet, com o vídeo, a televisão, o jornal, os experimentos, os materiais impressos, as visitas e saídas de campo, dentre outros, ou seja, integrar o de há de mais avançado com as técnicas já conhecidas, dentro de uma visão pedagógica nova, criativa e aberta. O segundo passo é usar a tecnologia e as novas descobertas científicas a favor do próprio processo de ensino-aprendizagem. E por fim, o professor deve estar sempre atualizado e procurando uma educação continuada.


Referencias bibliográficas
FREITAS, M.T.M. et alii. O Desafio de ser Professor de Matemática Hoje no Brasil. In FIORENTINI, D. NARACATO, A.M. (org). Cultura, Formação e Desenvolvimento Profissional de Professores que Ensinam Matemática. Campinas: Editora Gráfica FE/UNICAMP, 2005.
VEEN W. Homo zappiens -Educando na era digital. In OSTRONOFF H. Os perigos do filtro tecnológico. Revista Educação. Editora Segmento. Ano 12 – nº 143, 2009.
FONSECA, A. F. e ALQUERÉS H. Um novo olhar. Revista Educação. Editora Segmento. Ano 12 – nº 143, 2009.
PEREIRA, K. A. B. A pesquisa na reconstrução da prática docente. Disponível em: Acesso em: 23 de mar. de 2009.
BIZZO, N. Ciências: fácil ou difícil ? São Paulo: Ática,1998.

O EDUCADOR DO SÉCULO 21....

Os desafios de ser professor no século XXI

Como lidar coo acúmulo de informação, a velocidade da tecnologia, a transformação constante da prática pedagógica e descobrir o papel do professor no século XXI? Essas perguntas deram a tônica do segundo dia do 4º Encontro Internacional Rio Mídia.
Fábio Aranha
O que é ser professor no século XXI? Essa é uma pergunta para a qual não há resposta fácil. Mas uma coisa é certa, o nosso tempo, caracterizado por mudanças constantes e velozes, traz desafios para oprofessor e o estimula a repensar continuamente sua prática. Esta foi a tônica das palestras realizadas na segunda mesa-redonda do segundo dia de debate do 4º Encontro Internacional RIO MÍDIA, que aconteceu no dia 28 de agosto, no Auditório da Casa do Comércio, no Rio de Janeiro.
Para Ana Smolka, professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), há um intenso debate que envolve uma diversidade de argumentos e de pontos de vista decomo ver a interlocução do professor. Mas algumas questões são preponderantes, como as dimensões da produção de conhecimento, as suas condições de trabalho e vida, além das contradições de sua experiência individual, social e histórica.
Smolka diz que a rapidez das mudanças, no mundo de hoje, é quase sufocante e é preciso descobrircomo lidar coo acúmulo de conhecimentoO professor do século XXI tem incorporada toda a produção intelectual dos séculos passados e seu desafio é se formar e transformar sua prática constantemente, levando em conta as produções culturais e históricas atuais. Para ela, é precisodebater qual é o papel do professor na relação de ensino. “É importante pensar em como fazer a formação de professores diante destas questões que estão colocadas”, comentou.
A professora da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Wania Clemente, acredita que o professor do século XXI está enraizado no presente dinâmico e no processode constituição de conhecimentos e valores éticos, estéticos e políticos que emergem na realizaçãoda prática educativa, presencial ou à distância, a partir de interações recorrentes coo meio. Em sua opiniãoo contexto midiatizado do século XXI impõe desafios aos educadores. “É preciso estar atento para refutar as visões simplistas que opõem as múltiplas linguagens à realidade escolar. Também se faz necessário estender e inventar a prática educativa, compreendendo o cruzamento e a aproximação de três vetores: tempo, espaço e velocidade. Por último, é preciso promover mudanças estruturais de ação-reação-ação”, ressaltou.
Neste contexto, afirmou, os diferentes setores da sociedade também têm responsabilidades, comomobilizar o poder público a promover ações concretas, ou seja, políticas públicas, tornando-se co-responsável. Também lhes cabe denunciar formas de controle, que utilizem as tecnologias para concentrar poder e conter a criatividade e a inventividade.
Para Wania, os professores deveriam ser estimulados a explorar as possibilidades de perturbação, transgressão e subversão das identidades existentes. “É preciso estimular, em matéria de identidade,o impensado e o arriscadoo inexplorado e o ambíguo, em vez do consensual e do assegurado, doconhecido e do assentado. Favorecer, enfim, toda experimentação que torne difícil o retorno do ‘eu’ e do ‘nós’ ao idêntico”, finalizou.
A diretora do Departamento de Mídia e Educação da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, Simone Monteiro, mostroo resultado de uma pesquisa feita na rede de ensino do municípiosobre o que é ser professor no século XXI. Dos 201 entrevistados, 74% afirmaram que é um desafio e que é preciso estar aberto ao novo e ressignificar sempre a prática. Cinqüenta por cento afirmaram que ser professor neste século é saber lidar com as novas tecnologias, mídias e as diferentes linguagens do mundo atual.
O lado humano da prática docente também foi lembrado pelos pesquisados. Dez por cento disseram que é pensar no aluno, estar conectado com ele. Outros 9% disseram que é compreender o tempoatual e se relacionar com ele. Mais 3,5% comentaram que é gostar de contato coo ser humano, com as pessoas. Por último, 3% afirmaram que é preciso ter poderes sobrenaturais para lidar com as dificuldades de ser professor nos tempos atuais.
Simone ressaltou que o presente século traz questões que demandam novas atitudes por parte dodocente. “A pesquisa mostra uma preocupação do professor em ser plural, dialogar coo novo, estar aberto às novas tecnologias e linguagens, mas sem perder as suas raízes, seus valores, sua vivência. Temos que pensar quais são nossos desafios frente à velocidade, às novas tecnologias, à fragmentaçãoe à turbulência", finalizou.
Texto de Fábio Aranha